Culpa?

Há poucos dias, o BFL discutiu um problema recorrente da Seleção Brasileira, as desnecessárias voltas ao zero. O texto tratava de uma questão importantíssima: o torcedor brasileiro, em média, é arrogante, e não consegue admitir que perdeu devido ao melhor desempenho do adversário. Na visão do torcedor do País, o Brasil é sempre melhor do que todos os outros – e, se perdeu de alguém, foi por falhas internas. Aí, começa a caça às bruxas: culpa-se o treinador e mais um ou dois jogadores, julga-se que o trabalho desenvolvido até a derrota é péssimo, e faz-se pressão para que tudo seja jogado no lixo e que se comece algo novo do zero.

Até cabelo é “culpado” depois da derrota… (veja.abril.com.br)

Isso aconteceu depois da Copa do Mundo de 2010. Até o Mundial, o trabalho de Dunga era julgado bom pela maioria dos brasileiros – e, de fato, era. Foi só o Brasil perder para a Holanda, e tudo mudou. Dunga era péssimo, Felipe Melo era um desastre, o time era exageradamente velho, não havia talentos individuais… a lista de “culpados” era enorme, e ninguém parou para analisar a Holanda, que tinha um timaço.

Foi por causa deste tipo de pensamento – assumido, inclusive, por grande parte da imprensa esportiva nacional – que houve uma enorme pressão em cima de Mano Menezes para um recomeço do zero. Na estreia do novo treinador, diante dos Estados Unidos, a Seleção entrou em campo com Victor; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz, André Santos; Lucas Leiva, Ramires; Robinho, Paulo Henrique Ganso, Neymar; Alexandre Pato. Dez novidades, se pensarmos que somente Robinho era titular durante a Copa. Em outras palavras, o que Dunga havia feito estava sendo totalmente descartado.

Com o tempo, alguns jogadores que eram titulares com Dunga foram retornando, como Júlio César, Maicon, Lúcio e Elano. Ou seja: se eles ainda eram considerados úteis por Mano Menezes, a ponto de voltarem ao elenco, por que foram tirados das primeiras convocações? Não seria muito mais fácil dar continuidade ao trabalho de Dunga e ir adaptando os novos convocados a uma equipe formada e segura, ao invés de jogá-los em um time novo? Porém, a pressão popular não permite. O brasileiro, orgulhoso ao extremo, não aceita derrotas que não gerem reformulações totais. E, com isso, a Seleção perde anos de trabalho para fazer o que, com uma transição inteligente, seria feito muito mais rapidamente.

Esta semana, está acontecendo tudo novamente. Desta vez, o Brasil foi derrotado pelo Paraguai na Copa América – e, com isso, o torcedor brasileiro partiu para mais uma nova caça às bruxas. Agora, o time é jovem demais (há um ano, o time era velho demais), Mano Menezes é teimoso em suas convocações (todo treinador acaba culpado)… acharam um jeito de responsabilizar até o cabelo do Neymar!

O torcedor brasileiro precisa entender que, atualmente, o Brasil não é a melhor seleção do mundo, e não adianta cobrá-la como tal. Aliás, não é nem uma das três melhores. Mas tem potencial para ser. Não adianta sair execrando os jogadores sem dar tempo suficiente para que eles se adaptem a um time que ainda está em formação – formação essa que só está acontecendo porque este mesmo torcedor, há um ano, quis recomeçar tudo do zero.

No fundo, o que o torcedor brasileiro precisa entender, mesmo, é de futebol. Porque a maioria dos que criticam não entende absolutamente nada. E, mesmo assim, se acha no direito de julgar, criticar e exigir.

  1. sexta-feira, 05/08/2011 às 21:03 | #1

    JOgadores como Neymar e Ganso mostraram que ainda não estão preparados para serem os protagonistas da Seleção Brasileira. Uma coisa é ganhar Libertadores, outra é jogar numa equipe nacional. Mas, sem dúvida, são ainda a grande esperança para a Copa de 2014.
    É questão de paciência. Tirá-los ou culpa-los é o pior dos erros.
    É bom lembrar também que o Brasil passa por um periodo de entresafra. A geração Ronaldo & Rivaldo já é passado. Jogadores da equipe olímpica de 2004 (Diego, Robinho, Dagoberto e cia), que estão em idade madura, não deram certo como todos imaginavam.
    Agora é questão de paciência que esta nova geração que está amadurecendo. E também o brasileiro deixar a arrogância com o futebol de lado.

  2. Alexandre Lisa
    domingo, 07/08/2011 às 13:13 | #2

    isso eh culpa de uma imprensa muito parcial e torcedora,q cria torcedores pra nao pensar e alienados…concordo com td q foi dito.

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